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para Fundação Plural | 2015

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 PROJETOS 

SIBRAM (sistema brasileiro de radares marítimos)

1) INTRODUÇÃO

 

O SIBRAM representaria o eixo do esforço do governo federal no cumprimento de uma verdadeira ação essencial de estado que é prover proteção à vida e à propriedade e dar apoio crítico ao setor produtivo através da atividade meteorológica, bem como a melhoria do controle do tráfego e de segurança da ZEE.

Nesse contexto foi pensada uma rede de observações oceânicas na composição da base de coleta de dados do Sistema, levando em conta, inclusive a questão de grande relevância representada pela interação ar-mar.

 

Essa rede seria constituída por radares costeiros e proveria informações sobre correntes, ondas e tráfego marítimo.

 

A implantação aqui proposta vem representar uma substancial colaboração para a constituição da rede de observações hidrometeorológicas do país, num projeto piloto que lança as bases para um sistema nacional de monitoramento costeiro da mais alta importância, tanto em termos sócio-econômicos e de segurança no mar, como de afirmação de sua soberania na faixa oceânica que abrange a Zona Econômica Exclusiva (ZEE). 

 

2) A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO SIBRAM PARA O PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO DO TRÁFEGO MARÍTIMO

 

O conhecimento do estado do mar – o que muitas vezes não pode ser estimado através de imagens de satélites face à cobertura de nuvens, como foi o caso do furacão Catarina na costa de SC – e que pode ser indicado pelas observações dos radares costeiros, é de vital importância para a segurança do tráfego comercial, em especial as de cabotagem.

Outrossim, a partir dos mapas da configuração presente e futura das correntes marítimas poderão ser identificados os abatimentos sofridos pelos navios comerciais em sua derrota, facilitando a aproximação aos portos nacionais. 

 

3) A IMPORTÂNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO SIBRAM PARA A EXECUÇÃO DE SERVIÇOS PORTUÁRIOS E NA COSTA

 

As tempestades intensas representam um problema importante para a execução de operações de carga e descarga de mercadorias.

 

Para prever-se condições propícias para sua ocorrência, o conhecimento dos ventos na superfície do mar – que podem ser obtidos a partir das correntes dadas pelos radares costeiros – é de grande valor para os modelos atmosféricos.

 

Também, as informações diretas sobre ondas oceânicas fornecidas pelos radares, são de muita utilidade para a questão da segurança de uso de equipamentos de peso e de sopradores.

 

4) PRINCÍPIO DE OBTENÇÃO DE CORRENTES E ONDAS

 

Os ecos de radar provenientes do oceano têm sido detectados desde a Segunda Guerra Mundial. A rede britânica de radares de proteção denominada “Chain-Home” operava em HF. As imagens dos ecos dos aviões alemães eram perturbadas pelos sinais de retorno do oceano, que eram interpretados na época como interferência gerada pelo inimigo. Em meados da década de 1950 observações experimentais do espectro Doppler dos sinais que retornavam para o radar retro - espalhados pelo oceano apareciam sempre em desvios discretos de freqüência, acima e abaixo da portadora de HF. Tais ecos não podiam ser produzidos por todas as ondas oceânicas iluminadas pelo radar, já que – situação única para ondas de água – ondas de diferentes comprimentos se movem a diferentes velocidades e produziriam ecos em muitos desvios Doppler. Calculando a velocidade a partir do desvio Doppler discreto e daí derivando o comprimento da onda deslocando-se a essa velocidade, chegou-se à conclusão que a única onda oceânica do espectro total presente a qual produz espalhamento em HF, tinha um comprimento de onda que era precisamente a metade do comprimento de onda da radiação do radar. 

 

Também, conclui-se que tal onda se movia diretamente para o radar e/ou se distanciava dele. Após outras verificações envolvendo a relação entre o desvio Doppler discreto e a freqüência da portadora deduziu que o processo tratava-se de um mecanismo de espalhamento semelhante ao fenômeno responsável pelo espalhamento de raios-X em cristal e dos raios luminosos em grades de difração e hologramas, denominado espalhamento Bragg.

 

A figura abaixo ilustra o processo acima descrito.

 

Para um sistema de radar costeiro hoje disponível comercialmente, com valores típicos de potência transmitida de 50 W, operando em 5 MHz (comprimento de onda de 60 m) chega-se a um alcance de 200 km com sinal claro do eco ( relação sinal/ruído de cerca de 13 dB), ou seja esse é um alcance efetivo para operações confiáveis. O sistema em questão é classificado como de longo alcance, e é o que está sendo especificado na presente proposta.

 

5) A REDE DO SIBRAM

 

No caso do Brasil, não só se confirma como excede, em algumas aplicações, o potencial de benefícios previstos em relação à operação de redes tais como as do COCMO, da SCMI e do NOOS.

Está esboçada na seqüência uma alternativa para uma rede brasileira, incluindo os pontos extremos no Atlântico (São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha e Trindade).

 

Há uma diversidade de usos mais específicos, envolvendo conhecimento de correntes e/ou ondas, em associação com outras variáveis (nível e profundidade da água, por exemplo), relativos a alguns tipos de interesses públicos ou atividades econômicas.